
A Saudade
A saudade
No coração do capoeira
É igual a uma rasteira
Faz o berimbau parar
Ou então faz
Tocar o toque de angola
Onde o capoeira chora
Mesmo sem querer chorar
Ai se vê
No lamento do guerreiro
Sem rumo sem paradeiro
O poeta que aparece
Ele se esquece
Que é forte e perigoso
Tira o lenço do pescoço
E joga um verso no ar
E diz amor espere um pouco
Não vá me trocar por outro
Eu vim aqui já volto já
Iê viva meu Deus
Autor: Mestre Toni Vargas

Dona Isabel (Mestre Toni Vargas)
Dona Isabel que história é essa
De ter feito a abolição
De ser princesa boazinha
Que libertou a escravidão
To cansado de conversa
To cansado de ilusão
Abolição se fez com sangue
Que inundava esse país
Que o negro transformou em luta
Cansado de ser infeliz
Abolição se fez bem antes
E ainda há por se fazer agora
Com a verdade da favela
Não com a mentira da escola
Dona Isabel chegou a hora
De se acabar com essa maldade
De se ensinar aos nossos filhos
O quanto custa a liberdade
Viva Zumbi nosso rei negro
Que fez-se herói lá em Palmares
Viva a cultura desse povo
A liberdade verdadeira
Que já corria nos quilombos
E já jogava capoeira
Iê viva Zumbi

Desapareceu no ar (Mestre Toni Vargas)
A roda tava repleta
Todo mundo estava lá
Eu no gunga estava alerta
Pois meu Mestre ia jogar
E quando meu mestre joga
Meu coração joga também
Eu vou quando ele vai
E venho quando ele vem
Berimbau tava arretado
O clima tava perfeito
Tudo muito organizado
Tudo bem, tudo direito
Os movimentos do Mestre
Eram poemas no ar
Era um artista jogando
A arte de se jogar
De repente veio um raio
Sem aviso do trovão
Engasguei no berimbau
Traído pela emoção
Numa fração de segundos
Eu vi meu Mestre no chão
É que o olhar de aluno
É lento pra acompanhar
Meu Mestre tinha sumido
Desapareceu no ar
Reapareceu sorrindo
Que é do jeito que ele faz
Era um negro roubando
A alma do capataz
Esse momento jamais
Vai sair da minha memória
Eu vi meu Mestre assinando
O seu nome na história
Vi Peixinho transformado
A maldade em brincadeira
Muito mais do que jogando
Sendo a própria capoeira… Iê viva meu Deus!
