Antes de mais nada, ao pensarmos nos movimentos desequilibrantes das Tesouras de Frente e de Costas, o capoeirista deve aprender a cair de maneira adequada e sem se machucar.
É muito comum, ao ser derrubado, o praticante querer evitar a queda e acabar se prejudicando nessa tentativa. Se o movimento da tesoura, ou qualquer outro movimento desequilibrante for bem aplicado, no tempo certo e com a técnica precisa, a melhor solução é assimilar a queda de maneira segura e natural.
“Quem nunca caiu na roda de Capoeira não sabe o valor da queda”. Cair no jogo de Capoeira, ou melhor, ser derrubado pelo colega, deve ser encarado como algo muito natural, já que existem os movimentos desequilibrantes e as diferentes formas de cair. Como diz uma outra cantiga… “Baraúna caiu quanto mais eu, quanto mais eu, quanto mais eu”. Ou seja, os grandes Mestres e grandes capoeiristas de todos os tempos já caíram em algum momento. Portanto cair é natural e não deve ser encarado como uma ofensa ou desrespeito.
APRENDENDO A CAIR
Quem sabe cair, assimila a queda e segue jogando…
Os principais erros que o Capoeirista pode cometer ao ser surpreendido no jogo com uma Tesoura podem ser descritos da seguinte forma:
- Querer evitar a queda a todo custo.
O Capoeirista nunca deve cair de maduro. Antes de cair é preciso avalir se a entrada da Tesoura foi realmente eficiente. Esta avaliação pode ser feita através de ume leve resistência ao desequilibrio da Tesoura. Se a entrada da Tesoura for falha em termos de técnica de execução do movimento, tempo de entrada e noção de distância, existe a possibilidade desse movimento falhar, ou seja, a Tesoura não produzirá o efeito desejado, qual seja, derrubar o colega.
No entando, se a aplicação da Tesoura for precisa em termos de técnica e execução, atendendo aos critérios de tempo de entrada, noção de distância, a probabilidade dela produzir o efeito desejado é bastante alta. E nesta caso, a oposição à este movimento deve ser apenas parcial, a fim de certificar sua eficiência. Uma vez comprovada esta eficiência, o Capoeirista que recebe a Tesoura, deve assimilar o golpe e ir para o chão de maneira adequada. Do contrário, corre o risco de ter as suas pernas e o seu corpo “varridos”, podendo bater com as costas e a cabeça no chão de forma violenta e perigosa.
- Aparar a queda com as mãos
A tendência natural e instintiva de toda pessoa que sofre uma queda é colocar as mãos para aparar a queda. No entanto, no caso da situação que estamos tratando, em que o Capoeirista é desequilibrado por uma Tesoura, querer aparar o movimento com as mãos é um grande erro e pode levar ao acometimento de lesões sérias nos punhos, cotovelos e ombros, já que todo o peso do corpo incidirá sobre essas articulações que não estão preparadas pera receber tal sobrecarga.
TÉCNICA PARA ASSIMILAÇÃO DAS TESOURAS
A técnica que será descrita aqui serve tanto para a Tesoura de costas quanto para a Tesoura de frente.
O princípio da assimilação das Tesouras é a flexão progressiva e simultânea das articulações do tronco, quadril, joelhos, tornozelos. O que proporcionará a seguinte sequência de contatos com o solo: glúteos, costas, mão.
Ao ser surpreendido com o movimento da Tesoura, o capoeirista deve exercer uma leve oposição ao movimento, ao mesmo tempo em que realiza uma discreta flexão do tronco à frente, flexiona os joelhos, encosta os glúteos no chão, rola para trás, encostando as costas no chão e por último pode tocar uma das mãos no chão a fim de marcar a finalização do moimento.
O movimento se caracteriza como um meio rolamento para trás.
Cuidado com a cabeça
Ao ser projetado para trás, haverá uma tendência da cabeça também ir para trás. Se a mesma estiver “solta”, golpeará o chão com violência. Por isso é muito importante “prender” a cabeça, encostando o queixo no peito.
Se todos esses preceitos forem seguidos, a queda na Tesoura de costas ou na Tesoura de frente serão assimiladas de maneira netural e com um risco mínimo de lesões ou contusões.
Após a queda, o capoeirita se levanta e continua a jogar.